Pular para o conteúdo principal

Nostalgia

Ontem recebi uma violinha de 10 cordas e quando a ouço, tenho vontade de chorar...minha alma fica cheia e isso por si só basta...deve de ter alguma razão.
Que imagens são estas que a viola evoca?
No alto do Rosário sentada no mural da Igreja de São Benedito olhando o por do sol cuiabano, a tarde indo embora, eu cantando Trem do Pantanal.... “E o povo lá em casa espera que eu mande um postal, dizendo que eu estou muito bem e vivo como a Santa Cruz de la Sierra...” (Almir Sater e Paulo Simões).
Mascarados de Poconé, também no alto do Rosário – Festa de São Benedito – Chegando do Xingú.
A viagem ao Xingú é uma experiência que me preenche e transborda de beleza. A cena com os Ticão, cacique Melobô, a velha índia que arrancou a roupa de raiva porque queria voltar para o lugar de onde veio. Qual o significado daqueles gestos? Não sei, para mim foram marcantes demais, quase insuportáveis.
Nos Cuicuros onde passamos a primeira noite, o café na casa do professor, o matrinchã que nos trouxeram e as mulheres indo ao rio pela manhã para buscar água em panelas gigantes...o rio enfumaçado e aquele frio!
A canoa cortando o rio, o sol dourando a água e eu abraçando vento.
No Jacaré, antiga sede da aeronáutica, toda aquela estrutura abandonada e uma família morando em casa de pau a pique, uma demonstração de desprezo aos bens dos brancos.
A caminhada de bicicleta até os cuicuros, travessia de lago com as mochilas no alto. Macarrão....Camani.
A passagem pelo Morená – onde o mundo nasceu na mitologia dos Kamayurás – ao entardecer, o encontro com a minha onça, a dormida na beira do rio, caça de isca com lanterna e facão...
O fogo, a rede, o medo do bicho papão.............

Liebe Lima

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Marina...você se pintou Por Maurício Abdalla

Marina,... você se pintou? Maurício Abdalla [1] “Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo. Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias? Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que contr...

Caminheiro...caminhante

. Caminhante, caminheiro... Veja as núvens de promessas que se formam lá no cèu e que se transformam cada vez que a corrente de vento muda a direção... Cada vez que a vida diz não... Caminheiro errante acompanhando o vento que te leva pra cada vez mais distante desse porto de onde só se parte... Com a angústia de saber se  para sempre um cavaleiro errante... sina de violeiro que jamais se viu no espelho. Liebe