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A realidade

Em um país como o Brasil, com um índice altíssimo de analfabetos da língua materna, língua esta, que usamos cotidianamente para nos comunicar. Façamos conta, então, do percentual de analfabetos musicais!? Eu pergunto, Porque a música é tão inacessível para as pessoas? Somos nós, os músicos e professores de música, que ainda a queremos manter assim, para mantermos em nós o status de portadores do divino dom? As instituições que se propõe a ensinar música, são adequadas a realidade Brasileira? Na sua opinião, qual deveria ser o foco do ensino e do aprendizado musical: Os aprendizes? A música? O domínio técnico?

O sonho

Na faculdade de música... Pensei que meu sonho se tornara pesadelo, quando em minha primeira aula de percepção, o professor entrou na sala de aula, abriu o piano, tocou uma melodia, virou-se para nós e pediu que escrevêssemos a melodia tocada. Naquele momento, senti todos os pêlos do corpo se arrepiarem, percebi que eles não me ensinariam, posto que pressupunham que eu já sabia. Eu jamais tinha lido Pozzolli e tinha que saber escrever ditados com pausas, ligaduras e ler gramanni em duas vozes.

Próximo passo ... reflexão ...a experiência...

O corpo desta experiência começou a ser gestado quando eu trouxe a música para dentro de mim e soube que além de ouvir a música de outros, meu corpo também era capaz de produzi-la e de emocionar as pessoas. Foi uma gestação prolongada, fiquei muito tempo grávida de música. Assim como numa gravidez, eu a sentia mas não via, não sabia como eram seus olhos, não conhecia suas formas e nem a ordem de sua natureza.

Primeiro passo

Gostar de ser gente, sentir-se gente como gente sente Caminhar na altura do chão e na altura dos olhos do irmão Quantos semi-deuses temos encontrado sem o poder da criação? Os homens desconhecidos de suas humanidades, Caminham de si ignorantes. Quantos professores se sabem do mundo salvadores? Utopia menino! Utopia! Apenas se preocupe com o jabá e a farinha. Porque assim, tú será é salvador de sonho com barriga vazia! Ser gente, mas não de barriga vazia E sim preenchido de outras gentes Repleto, finito, infinito, toda parte Um de outras partes que se encontram E sempre se buscam encontrar Posto que não é pronto. Nascidos, feitos e ainda por fazer Na vida, aprendendo A ser gente. Liebe Lima